Grande Loja da Paraíba

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GLEPBA Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba foi fundada no dia 24 de agosto de 1927 e regularizada no dia 14 de maio de 1928, com o título de Grande Loja Symbolica Escoceza Soberana para o Estado da Paraíba, que, pelos idos de 1934-1935 foi mudado para Grande Loja da Paraíba, tendo a sua primeira Constituição sido promulgada no dia 3 de junho de 1930.

Com a Constituição promulgada em 14 de julho de 1956 passou a ser denominada Grande Loja da Paraíba e, depois, para Grande Loja do Estado da Paraíba, com o advento da Constituição promulgada em 21 de janeiro de 1967.

A Constituição de 22 de janeiro de 1977 restabelece o título distintivo de Grande Loja da Paraíba, que, mais uma vez, seria mudado pela Constituição de 25 de fevereiro de 1989 para Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba, título este mantido pela Constituição de 6 de maio de 2000.

As primeiras Lojas da província da Parahyba

No tempo do Brasil Colônia, a capital da Província da Paraíba, e seu principal centro cultural, era a cidade de Mamanguape que, como cidade portuária – uma vez serem os meios de comunicação por vias pluviais os únicos existentes à época – , teve o privilégio de receber a visita de Sua Majestade o Imperador Dom Pedro II, cuja casa que o hospedou pertenceu ao Irmão Aníbal Cavalcante de Albuquerque, um dos fundadores da Grande Loja da Paraíba.

Em razão disto, conforme registra a história da maçonaria paraibana, ao oriente de Mamanguape foram fundadas duas Lojas Maçônicas. A primeira, Loja Maçônica “Regeneração Brasílica”, apesar de fundada sob os auspícios do Grande Oriente do Passeio, passou, depois, à Jurisdição do Grande Oriente do Brasil que, em 1º de Abril de 1865, lhe outorgou a Carta Contitutiva Nº 162, não se sabendo ao certo a data de sua fundação. A Loja Maçônica “Regeneração Brasílica” adotava para seus trabalhos o Rito Escocês Antigo e Aceito, tendo abatido colunas antes de 1874. A segunda, Loja Maçônica “Vigilância e Segredo”, mesmo tendo sido fundada sob os auspícios do Grande Oriente dos Beneditinos, em data ignorada, passou, depois, à jurisdição do Grande Oriente do Brasil que, em 12 de agosto de 1975, lhe outorgou a Carta Constitutiva Nº328, tendo a sua regularização ocorrido no dia 26 de agosto de 1875. A Loja Maçônica “Vigilância e Segredo” adotava para os seus trabalhos o Rito Escocês Antigo e Aceito, tendo abatido colunas antes de 1882.

As primeiras Lojas no Oriente de João Pessoa

A história da maçonaria paraibana registra ainda que a primeira Loja Maçônica a ser fundada no Oriente de João Pessoa – então chamada de Parahyba do Norte, capital da Província da Paraíba – foi a Loja Maçônica “Regeneração do Norte”, em 16 de outubro de 1898, sob a jurisdição do Grande Oriente do Brasil, que, em 7 de janeiro de 1899, lhe outrogou a Carta Constitutiva nº 640. No ano de 1936 a Loja Maçônica “Regeneração do Norte” abandonou o abrigo obediencial do Grande Oriente do Brasil, passando, desde então, a render obediência à Grande Loja da Paraíba.

Registros históricos existentes fazem crer que, antes da fundação da Loja Maçônica “Regeneração do Norte”, tenha existido, ao Oriente de Campina Grande no período compreendido dentre julho de 1873 e novembro de 1974, uma “sociedade maçônica” com o título distintivo “Segredo e Lealdade”, sendo ignorado o rito adotado para seus trabalhos e a Potência Maçônica a que rendia obediência. Sabe-se, contudo, que as suas atividades foram encerradas no dia 21 de novembro de 1874, em virtude de terem sido destruídas e incendiadas suas instalações por fanáticos do movimento QUEBRA-QUILOS, encabeçado pelo padre Calixto da Nóbrega, conforme descreve o historiador Elpídio de Almeida em sua História de Campina Grande.

No dia 7 de setembro de 1911, na então Vila de Cabedelo, foi fundada a Loja Maçônica “Sete de Setembro II”, sob a jurisdição do Grande Oriente do Brasil, que, em 7 de novembro de 1918, lhe outorgou a Carta Constitutiva nº 902 , tendo sua regularização ocorrido em fevereiro de 1912. A Loja Maçônica “Sete de Setembro” foi, depois, transferida para o Oriente de João Pessoa e, mais adiante, no ano de 1936, para a jurisdição de Grande Loja da Paraíba.

Em data de 10 de janeiro de 1918, ao Oriente de João Pessoa, um grupo de valorosos Irmãos, tendo à frente o grande Maçom Augusto Simões, fundou a Loja Maçônica “Branca Dias”, sob os aspícios do Grande Oriente do Brasil que, em 15 de abril de 1918, lhe outorgou a Carta Constitutiva nº 942, tendo sua regularização ocorrido no dia 13 de maio de 1918.

Em Campina Grande, no dia 19 de agosto de 1923, era fundada a Loja Maçônica “Regeneração Campinense”, sob a jurisdição do Grande Oriente do Brasil que, em 3 de outubro de 1924, lhe outorgou a Carta Constitutiva nº 1002, tendo sua regularização ocorrido no dia 8 de dezembro de 1924.

Desse modo, à época do movimento maçônico que culminou com a fundação da Grande Loja, existiam em atividade na Paraíba, e sob a jurisdição do Grande Oriente do Brasil, as seguintes Lojas Maçônicas, obedecida a ordem de antiguidade:

  • Loja Maçônica “Regeneração do Norte”, nº 640
  • Loja Maçônica “Sete de Setembro”, nº 902
  • Loja Maçônica “Branca Dias”, nº 942
  • Loja Maçônica “Regeneração Campinense”, nº 1002

A Sseparação do Grande Oriente e a criação da nova Potência

Desde o ano de 1926, não havia na Paraíba nenhum Inspetor Litúrgico do Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito, quando, em sucessão ao Irmão Ignácio Evaristo Monteiro foi designado Delegado do Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil o Irmão Manoel Veloso Borges, então Venerável Mestre da Loja Maçônica “Branca Dias”, ao Oriente de João Pessoa – fundada em 10 de janeiro de 1918 e que adotava no Rito Adonhiramita para seus trabalhos -, o qual manteve como seu secretário o Irmão José Pereira da Silva, obreiro da Loja Maçônica “Regeneração do Norte”, ao Oriente de João Pessoa, que, à época ainda se chamava Parahyba do Norte.

Com a separação entre o Supremo Conselho e o Grande Oriente do Brasil, movimento liderado pelo Irmão Mário Behring e que antecedeu a criação das Grandes Lojas no Brasil, foi designado o Irmão José Eugênio Lins de Albuquerque para as funções de Grande Inspetor Litúrgico da Paraíba.

Enquanto foi Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, de 28 de junho de 1922 a 13 de julho de 1925, quando se exonerou do cargo, em sessão do Conselho Geral da Ordem, permanecendo, no entanto, no exercício do cargo de Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Rito Escocês e Aceito, o Irmão Mário Behring mantinha intensa correspondência particular com os Irmãos Augusto Simões e João Arlindo Corrêa, os quais estavam inteirados acerca do movimento maçônico que culminou com a criação das Grandes Lojas Brasileiras.

Concretizado o rompimento com o Grande Oriente do Brasil, em data de 17 de junho de 1927, o Irmão Mário Behring convendeu os Irmãos que comungavam dos seus ideais da necessidade de implementar o plano de criação de uma Grande Loja na Paraíba, em razão do que o Irmão Augusto Simões se pôs, imediatamente, em contato com o Irmão José Calixto da Nóbrega, então Venerável Mestre da Loja Maçônica “Regeneração do Norte”, ao Oriente de João Pessoa – única Loja a trabalhar no Rito Escocês Antigo e Aceito -, uma vez que o seu prédio, localizado à rua Duque de Caxias, nº 260, serviria otimamente para a instalação da nova Potência Maçônica. O Irmão Calixto da Nóbrega, porém, somente conseguiu entusiasmar uma minoria do quadro de obreiros da Loja Maçônica “Regeneração do Norte” num total de nove, entre eles os seus Vigilantes, Orador Adjunto, Chanceler e mais três outros Irmãos, face a resoluta oposição que lhe fez seu Secretário, o Irmão Francisco Pedro da Silva Andrade.

Tendo falhado o intento de atrair a Loja Maçônica “Regeneração do Norte” para a fundação da nova Potência Maçônica, não restou ao Irmão José Calixto da Nóbrega senão formar uma nova Loja Simbólica juntamente com mais oito Irmãos que lhe seguiam. Desse modo, fundaram, em 24 de julho de 1927, a Loja Maçônica “Padre Azevedo”, sob os aspúcios do Supremo Conselho presidido pelo Irmão Mário Behring.

Enquanto isso, os Irmãos Augusto Simões e João Arlindo Corrêa – este último pessoa de confiança do Irmão Mário Behring ao Oriente de Campina Grande, onde, em 18 de maio de 1927 fundara o Capítulo Rosa Cruz “Cavaleiros do Nordeste” -, convencer o Irmão Manoel Velloso Borges, Ex-Venerável Mestre da Loja Maçônica “Branca Dias”, a fazer parte do movimento de criação de uma nova Potência Maçônica na Paraíba.

Convencido o Irmão Manoel Velloso Borges, este, por sua vez, acabou influenciando o Venerável Mestre eleito, Irmão Hermenegildo Di Lascio a induzir o quadro da Loja Maçônica “Branca Dias” a ser detentora da Carta Constitutiva nº 01 da Grande Loja da Paraíba e, naturalmente, abandonar o Grande Oriente do Brasil e o Rito Adonhiramita, passando, então, a adotar o Rito Escocês Antigo e Aceito para os seus trabalhos.

Em 22 de julho de 1927, a Loja Maçônica “Branca Dias” se desligou do Grande Oriente do Brasil, que, por isto, a declarou suspensa, na conformidade do decreto nº 868, de 4 de agosto de 1927.

Ao Oriente de Campina Grande, a Loja Maçônica “Regeneração Campinense”, motivada pelos argumentos do seu Venerável Mestre, o Irmão João Arlindo Corrêa, editava, em 2 de agosto de 1927, um Decreto onde declarava “…só reconhecer como Potencia legal e legitima no Brasil o Supremo Conselho do Gr. 33.’. do Rito Esc.’. An.’. e Ac.’. funcionando na rua da Quitanda, nº32-1º andar do Rio de Janeiro, retirando a sua solidariedade ao GOB…”, em razão do que o Grande Oriente do Brasil declararia a sua suspensão, na conformidade do Decreto nº867, de 4 de agosto de 1927.

Isto feito e cumpridas as formalidades preliminares, o movimento liderado pelos Irmãos Augusto Simões e João Arlindo Corrêa já detinha o controle das três Lojas necessárias para a fundação da nova Grande Loja:

  • Loja Maçônica “Branca Dias”
  • Loja Maçônica “Regeneração Campinense”
  • Loja Maçônica “Padre Azevedo”

Extraído de artigo publicado pelo Irmão Kurt Prober no jornal “Tribuna Maçônica”, editado pela Loja Maçônica “Sete de Setembro”, nº11.

24 de agosto de 1927
Criação da Grande Loja da Paraíba

A sessão de fundação e instalação da Grande Loja foi realizada no Templo da Loja Maçônica “Branca Dias”, no dia 24 de agosto de 1927. Aberta a sessão, o Irmão Augusto Simões, que a instalou e presidiu, fez uma exposição sobre o movimento maçônico que culminou com uma criação das Grandes Lojas do Brasil, sob a liderança do Irmão Mário Behring. Fez, também, uma conclamação no sentido de que os destinos da Grande Loja Maçônica fossem entregues às mãos hábeis e seguras de Irmãos operosos e dedicados que soubessem e pudessem elevar bem alto a obra maçônica que, naquele instante, todos os presentes estavam empenhados e dispostos a realizar a bem da Ordem Maçônica e da Humanidade.

Por indicação do Irmão Hermenegildo Di Lascio,Venerável Mestre da Loja “Branca Dias”, apoiada pelo Irmão Augusto Simões, foi, então, aclamado Grão-Mestre o Irmão Manoel Velloso Borges. Escolhido o Grão-Mestre, o Irmão Augusto Simões apresenta para ser aclamado Grão-Mestre Adjunto o Irmão Arlindo Corrêa.

Escolhidos os supremos mandatários, o Irmão Augusto Simões oferece o malhete, primeiro, ao Grão-Mestre eleito, que declina e pede que o mesmo continue a dirigir dos trabalhos, e, depois, ao Grão-Mestre Adjunto, que teve igual gesto de não aceitar, considerando os méritos daquele que pode ser considerado o “pai” da Grande Loja Maçônica da Paraíba.

Em homengem sincera, proposta pelo Irmão José Teixeira Bastos, obreiro da Loja Maçônica “Branca Dias”, foi o Irmão Augusto Simões aclamado Grão-Mestre de Honra, em reconhecimento aos seus méritos e virtudes a serviço da Ordem Maçônica. Faltando preencher os demais cargos da administração da Grande Loja, o Irmão Hermenegildo Di Lascio propõe que tal se dê por indicação do Irmão Augusto Simões, uma vez ser este grande conhecedor das necessidades dos cargos e capacidade dos irmãos.

Aprovada a proposta do Irmão Di Lascio e aclamadas as indicações feitas pelo Irmão Augusto Simões, prestaram o compromisso de estilo e tomaram posse em seus cargos os constituintes da primeira administração da Grande Loja.

Entre a sessão de fundação e a de regularização da Grande Loja o Grão-Mestre Manoel Velloso Borges, sem motivo aparente, renuncia e é substituído no cargo pelo seu Grão-Mestre Adjunto, o Irmão João Arlindo Corrêa. Assim é que na ata de fundação, lavrada em 11 páginas ofício e somente aprovada quando da sessão de regularização, consta as assinaturas dos Irmãos Augusto Simões, Grão-Mestre, José Eugênio Lins de Albuquerque, Grande Inspetor Litúrgico do Rito Escocês Antigo e Aceito, Generino Maciel, Grande Orador, Alfredo Augusto Ferreira da Silva, Grande Secretário, e Robert Vougham Kerr, Grande Chanceler, tendo ficado em branco o espaço destinado à assinatura do Grã-Mestre Adjunto.

A regularização da Grande Loja Symbolica Escoceza para o Estado da Parahyba se deu em 14 de maio de 1928 – nove meses depois de sua fundação – em sessão realizada no Templo da Loja Maçônica “Branca Dias”, tendo a Comissão Regularizadora sido presidida pelo Irmão José Eugênio Lins de Albuquerque, Grande Inspetor Litúgico,que comissionou os Irmãos José Calixto da Nóbrega e José Pinto Martiniano Lins para servirem como coadjuvantes.

A Grande Loja da Paraíba, ao lado das que foram criadas no Amazonas, Pará, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, é uma das seis Grandes Lojas pioneiras no Brasil, conforme parágrafo 2º do Decreto nº7 , de 3 de agosto de 1927, expedido pelo Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito, que, em data de 16 de fevereiro de 1928, lhe outorgou a Carta Constitutiva nº 04.

LOJAS SIMBÓLICAS FUNDADORAS DA GRANDE LOJA MAÇÔNICA DO ESTADO DA PARAÍBA

BRANCA DIAS
Membros

  • Alfredo Augusto Ferreira da Silva
  • Augusto Simões
  • Carlos Verth
  • Cydronio Mororó
  • Hermenegildo Di Lascio
  • José Francisco de Moura e Silva
  • José Teixeira Basto
  • Manoel Velloso Borges
  • Maurício de Medeiros Furtado
  • Pedro Baptista Guedes
  • Roberto Vougham Kerr

REGENERAÇÃO CAMPINENSE
Membros

  • Antonio Farias Pimentel
  • Artiquilino Dantas
  • Generino Maciel
  • João Alves
  • João Soares
  • João Joim Ithamar
  • José Pereira da Silva
  • José Pinto
  • Martiniano Lins
  • Sebastião Alves
  • Severino Cruz

PADRE AZEVEDO
Membros

  • Aristides d’ Azevedo Cunha
  • Gustavo Fernandes de Lima
  • Heráclito Siqueira Costa
  • João Arlindo Corrêa
  • João Candido Duarte
  • João Pinheiro de Carvalho
  • João Rodrigues Coriolano de Medeiros
  • José Calixto da Nóbrega
  • Virgílio de Barros Correia

PRIMEIRA DIRETORIA DA GRANDE LOJA DA PARAÍBA

  • Grão-Mestre de Honra “Ad Vitam”: Augusto Simões
  • Grão-Mestre: Manoel Velloso Borges
  • Grão-Mestre Adjunto: João Arlindo Corrêa
  • 1º Grande Vigilante: Maurício de Medeiros Furtado
  • 2º Grande Vigilante: Artistides de Azevedo Cunha
  • Grande Orador: Generino Maciel
  • Grande Orador Adjunto: João Candido Duarte
  • Grande Secretário: Alfredo Augusto Ferreira da Silva
  • Grande Secretário Adjunto: Martiniano Lins
  • Grande Chanceler: Roberto Vougham Kerr
  • Grande Thezoreiro: José Teixeira Basto
  • Grande Thezoreiro Adjunto: Carlos Verth
  • Grande Hospitaleiro: Sebastião Alves
  • Grande Hospitaleiro Adjunto: João Alves
  • Grande Mestre de Cerimônia: José Pereira da Silva
  • Grande 1º Diácono: Heráclito Siqueira Costa
  • Grande 2º Diácono: Gustavo Fernandes de Lima
  • Grande Cobridor: Cydronio Mororó
  • Grande Cobridor Adjunto: João Pinheiro de Carvalho

Elaborado pelo Irmão José Inácio da Silva Filho, Obr da Loja Maçônica “Dogival Costa” Nº 04 com base em artigo publicado pelo Irmão Kurt Prober no jornal “Tribuna Maçônica”, editado pela Loja Maçônica “Sete de Setembro” Nº 11, e publicado na home page original da Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba.

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